terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Os avós que participam da vida dos netos vivem mais.

“Os avós que participam da vida dos netos levam a um risco de mortalidade 37% menor e mesmo quem não tem filhos pode viver um pouco mais cuidado dos outros.
Ajudar na vida familiar é um ótimo jeito de garantir uns anos a mais na velhice, segundo um novo estudo feito na Alemanha. Os pesquisadores analisaram a vida de 500 pessoas, entre 70 e 103 anos de idade, que foram acompanhadas pelo Estudo de Envelhecimento de Berlin ao longe de 19 anos.
A pesquisa analisou, em primeiro lugar, qual era a diferença na taxa de mortalidade entre os avós que ajudavam a cuidar dos netos, participando da educação deles, e dos avós que não tinham netos ou não conviviam com eles. O estudo não considerou avós que têm a custódia das crianças e são os principais responsáveis por elas, a ideia era focar na figura dos avós como figuras de suporte dos pais das crianças.
Os resultados mostraram que conviver com netos e cuidar deles reduzia em 37% o risco de mortalidade. Metade do grupo dos avós presentes viveu por dez anos depois do início da pesquisa. No grupo oposto 50% deles só chegou a sobreviver mais 5 anos.
Entre os idosos que não tinham netos, os cientistas fizeram uma segunda análise. Dessa vez, dividiram os velhinhos entre aqueles que ajudavam os filhos, seja com suporte emocional, seja nas tarefas de casa e aqueles que não tinham esse hábito (ou não tinham filhos). Novamente, viram uma média de sobrevida 5 anos maior do que entre os idosos que não mantinham esse laço.
Mas se a pessoa não tem filhos ou netos, está destinada a morrer mais cedo? Os pesquisadores não acham que é bem assim. Na terceira etapa do estudo, se dedicaram exclusivamente a esse grupo de idosos e perceberam que muitos deles se propunham a ajudar e apoiar amigos e vizinhos, criando um outro tipo de comunidade. Nesse caso, a sobrevida média foi de sete anos, em contraste com 4 anos entre os idosos que não mantinham essa relação colaborativa com os filhos.
Os pesquisadores acreditam que conviver com a família e ter responsabilidades dentro dela, ajuda os idosos física e psicologicamente, mas a teoria vai muito além disso.
Eles também acham que o estudo sustenta uma teoria evolutiva chamada Hipótese da Vovó. Essa teoria tenta explicar porque os seres humanos vivem tanto tempo depois da sua fase fértil acabar. Isso não é muito comum na natureza porque, evolutivamente falando, nossa função é a reprodução e a manutenção da espécie.
Os avós que ajudam a cuidar dos filhos mudam esse paradigma: uma mãe menos ocupada com um bebê pode voltar a “curtir” e se reproduzir mais rápido e gerando uma prole ainda maior. A hipótese da vovó dá sentido evolutivo às senhorinhas que tanto amamos e, de quebra, ajuda a explicar porque os seres humanos são monogâmicos.
A sabedoria popular já dizia: “avó é mãe duas vezes”. Cada avó ou avô tem seu jeito de lidar com os netos, mas uma coisa é certa, preservar e fortalecer essa relação é algo positivo e benéfico para os dois lados!”

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